domingo, 12 de agosto de 2007

Prazer arriscado em duas rodas

Por Jéferson Roz


Perto de completar cinco anos que comprei minha segunda motocicleta, percebo a cada dia que atenção, prudência, amizade com trânsito e aos motoristas facilitam meu percurso livre de acidente e riscos.
Uma motocicleta yamaha 125cc, preta, quilometragem baixa, piloto prudente e cuidadoso para deixa-la conservada, enfim, meu xodó. Parece discurso de mãe que fala de seu filho para os familiares ou cara que relata as curvas da gata conquistada ao seu camarada, assim sou eu com minha menina de duas rodas.
Quando pensei em comprar foi tudo planejado. Um período de experiência como profissional liberal, a idéia de economizar, fazer investimentos e de não ficar a pé, ela foi escolha certa, para lazer e outras atividades, encontrei praticidade, tempo e custo baixo.
Porém, nem tudo é perfeito, sem queixas ou sem dores. Não vou dizer aqui, algo sobre em duas rodas que seja trágico, como presencie hoje, mas algo não tanto prazeroso como a experiência de andar no frio e com chuva, pois quem gosta de andar, sabe.
Ouvi muitas vezes motoqueiros, motoboys falarem mal dos motoristas, principalmente, por não deixarem os corredores livres para que passem. A questão aparente da rivalidade para chegar primeiro e pressa exagerada.
Hoje, ao voltar do trabalho na Radial Leste, sentido Centro, na estação Metrô de Itaquera um congestionamento de carros, vans, ônibus e até para pilotos de motos. Parei entre os carros e ouvi de longe sirene de ambulância. Todos abrindo passagem para ela passar e assim aproveitei junto com mais uns dez motoqueiros. Por um momento, me veio a mente que tudo aquilo poderia ser um dos apaixonados pelas duas rodas no chão.
Sem correr, sem pressa de estar em algum lugar, mas simplesmente chegar em casa, para descansar, pois não dormi direito à noite, para festejar o aniversário da minha cunhada Leidiane. Cheguei as três da manhã, levantei a sete, fui trabalhar, atendi mais de cinqüentas alunos com o mesmo discurso de sempre. Naquele momento, na rua mantive como sempre, atento e prudente sobre minha companheira (moto), mas quem disse que os demais motoqueiros pensam assim?
Aquela ambulância entre os carros que espremiam nas laterais da pista e os desesperados (motoqueiros) querendo passar por onde não tinha lugar para isso, aceleram, buzinam, embicam a roda dianteira na traseira da ambulância e eu lá esperando que aquele percurso de mais ou menos um kilometro terminasse e enganado sobre meus pensamentos.
Alguns motoqueiros conquistaram um pequeno espaço e xingando os motoristas, principalmente da ambulância e sumiram. Mais adiante vejo três viaturas da polícia militar e o resgate, com uma moça, de calça de moletom cor-de-rosa na maca e dois guardas e um enfermeiro colocando um protetor de ombro. Na frente da cena, uma moto FAZER(yamaha 250cc) toda arrebentada, sai daí pensando será que ela estava pilotando ou na garupa, ficou a dúvida se havia outro corpo e estava dentro do carro do resgaste?
Não sei, o que realmente aconteceu. Digo que vi em segundos, mas sempre que presencio uma cena dessa fico mais alerta. Quando comecei a pilotar, se assim posso dizer, pensei em agir diferente aos demais, procuro através da minha atenção, observar portas abertas e aviso, oriento a quem me pedi ajuda, claro se souber, sempre agradeço quando vejo a disposição de motorista, em seu carro para abri passagem, para que eu passe, chamo a atenção de pedestre que atravessam a faixa quando aberto pra mim e ainda aponto para o farol como dizendo, PRESTA ATENÇÃO VOCÊ TAMBÉM!!

3 comentários:

Silvia Helena & Fábio Pereira disse...

O trânsito caótico é mesmo capaz de nos elevar a reflexões. Continue com o blog!

Abraços.

Fernanda disse...

Texto muito inteligente e reflexivo.Valeu

Rorscharch disse...

Só posso dizer que aprendi com você há ser prudente no trânsito e adquiri alguns vicios, como avisar os motoristas sobre portas abertas e agradecer qdo recebo espaço para continuar meu trajeto traquilamente. Quando estou pilotando, aproveito cada momento, pois para mim é muito prazeroso, mas é um prazer que deve ser apreciado com certos cuidados...Beijo no Coração